sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

GOSTOS E DESGOSTOS



Detesto futebol. Desde pequena, quando não havia televisão em casa e as partidas eram narradas por um "speaker" agilíssimo, até os dias de hoje quando os bandos de gritões e suas prometidas enchem a sala de flatos e consomem cerveja com tanta ansiedade, não dá para agüentar. Menos ainda essa cegueira do povo que vê o talento premiado por milhões e bilhões, enquanto o salário mínimo vai a pouco mais de setecentos reais... Pior, este ano vai haver epidemia de futebol. Com a Copa sediada aqui, este país surrealista ficará mais louco ainda. Haverá manifestações? Talvez não, afinal a maioria estará anestesiada. E além de tudo, é uma delícia ver os charlavidentes responderem de suas cátedras místicas: "O Brasil poderá até ser campeão, mas correrá vários riscos..."

Mais ainda, detesto o tal do MMA. Muito bem feito o lutador brasileiro se quebrar na primeira esquentada que resolveu dar à revanche contra o cara que lhe levara o cinturão. Cinto de mau gosto, aliás, não ficaria bem nem numa top model vestida apenas com túnica de crepe flutuante. O pessoal por aí condena as brigas de galo e de cães com justa razão. Então, por que não exigem a proibição dessas lutas de gladiadores retardados? Os assistentes se torcem de prazer ao ver bastante pancadaria. E a justiça deveria proibir essa modalidade de violência, uma vez que já processa os mais violentos das torcidas organizadas. A população está banalizando a violência, nem presta mais atenção nos atos assassinos do Próximo Oriente ou na tristeza irreparável das balas perdidas que matam aqui tão perto de nós.

Disse que ninguém quer mais nada com a leitura. É o fim dos tempos termos uma população analfabeta funcional que quer treinar os trabalhadores da Copa a falarem o inglês. E os Belgas, que vão ficar sediados bem perto de nós, falam o francês. Não é uma ironia?  "Voulez vous boire  champagne avec fromage cette soir?  Non? Quelle tragédie..." E, todos esperando suas gorgetas,  em euros.

Nada contra o gosto alheio pelo futebol. Mas, tudo contra o enorme dinheiro que o Brasil dispensará para uma competição tão cara. Agora, o supra-sumo da ironia: volto ao Schumacher. que neste momento está em coma na bela cidade de Grenoble. Arriscou a vida tantas vezes nas pistas de alta velocidade e se ferrou numa pedra do caminho. Não era a pedra do Carlos Drummond, certamente, mas equivale dizer que o domador de cavalos morreu de tétano com uma picada de agulha que sua mulher usava para pregar-lhe botões na camisa.

Em tempo, gosto sim de uma modalidade de esporte. Adoro ver patinação artística no gelo. Bailados primorosos sobre patins... E correr, é claro, mas não competindo com Quenianos que são treinadíssimos em fugir de leões.


                                                   Meu semblante em trabalhos científicos





                                          Auxílio aos Quenianos e meu semblante frente à Copa


 

Um comentário:

orivaldo machi disse...

Realmente, Roma não está tão distante de nosso tempo, vide as arenas e seus gladiadores, quando se pretendiam dar ao povo sofrido, o pão e o circo ..... Agora nesses "tempos modernos" ,se não é o mesmo " pão e circo" como podemos chamar isso...... e dizem que o homem está evoluindo .......para onde e para quê .........